Era uma vez uma menina que cuidava de um beija-flor.
Queria ela enfeitar de TRANQUILIDADE suas asas, evitando o bater contínuo que o fazia pairar sobre as flores.
Envergava o tempo e a menina não sorvia a resposta ao que constituía parte da NATUREZA da ave.
Pensava ela que a leveza estava em sua compreensão, desconsiderando os aspectos que fazem cada ser ORIGINAL.
Dentro de si, a menina tinha MEDO do beija-flor PADECER. Ficava horas tentando instigar a ave a parar o bater asas para não se cansar.
Desta forma, a harmonia entre o ser menina e o ser ave passou a um breve angustiar.
Foram noites com as púpilas acesas, em vigília. A menina passou a esquecer.
Esqueceu de olhar para dentro, para suas crenças e "entregou-se" a uma única percepção.
Dia este, sol latente, a menina sentiu o corpo derreter.
Acordou vazia e lânguida, deixou o ar pesado consumir o sentir e "desistiu" de si. Chorou profundamente uma falsa desilução.
Vendo a menina sentada sem alimentar de seu néctar, o beija flor "largou-se"...frágil, silenciou as asas e caiu.
Ouviu-se o respirar de ares que procuravam-se para sanar a asfixia, um do outro.
Menina e beija-flor calaram-se. Ela no suspiro, ele no instrospecto.
Foi preciso o AMOR mediar a vontade, a fim de que menina e beija-flor entendessem: mudando o percurso dos seus corações, os batimentos iriam cair, mudos.
A menina despertou do medo e o guardou em seu devido tempo e trajeto. Voltou os passos para a janela. Sem ouvir as asas, sentiu que precisava recompô-las com sua delicadeza, entregando à natureza do vento, a brisa do farfalhar.
Pegou a alegria do beija-flor e pôs-se a cuidar. Cuidou em si, também, da sua alma.
Refeito no calor das suas mãos, sentiu vontade de voar...beijando o ar.
(deiaquintino - 24.11.2013)
Não se pode ensinar o outro a olhar para dentro de si, mas é possível acreditar que as mudanças só acontecem quando superados os obstáculos, respeitadas as naturezas. Qdo se é maior para o perdão e refazimento, qdo se é apto ao amor.
A chance de voar é para quem acredita ser possível voar além das aparentes asas.
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